Luanda - A História política universal ensina sem reticências: Acções sedutoras de partidos políticos podem degenerar em práticas autoritárias. Há múltiplos exemplos. No início, tudo é promessa. Esperança. Lua de mel. Depois, surgem sinais de intolerância. Seguem-se a perseguição contra opositores. Política e jurídica. A tentativa de silenciamento. A cultura de intimidação. Lua de fel. Todo cuidado é pouco.

Fonte: Club-k.net

O activista Jeiel de Freitas está a ser excrementado nas redes sociais por militantes da UNITA. Luís de Castro também tem sido violentamente espingardado pelos mesmos. Os dois disseram verdades que incomodam. Exerceram o direito à crítica. Questionaram. Divergiram. Falando depressa e bem: A UNITA reage mal à crítica política. A intolerância começa a insinuar-se como seu traço identitário. Falta maturidade democrática à UNITA. E isso é perigoso.

Em Angola, não existe nenhuma lei que torne partido algum imune à crítica. Ainda não foi aprovado diploma que atribua a UNITA o estatuto de vaca sagrada do espaço político nacional. Não há unção divina que a transforme em entidade moral e politicamente imaculada. Logo, é criticável. Como qualquer outra força política.


Ponto essencial: O princípio vale para todos. Para a UNITA, para o MPLA, para o Partido Liberal ou qualquer outra organização partidária. Democracia implica escrutínio. Implica crítica. Implica contraditório. Demanda respeito pela massa crítica. Quem não tolera isso, está impreparado para actuar num ambiente de cultura democrática.


Hora de desfazer mitos e descontruir profecias. Está na berra a sandice segundo a qual a UNITA é a “esperança de Angola” e “o partido mais democrático”. O momento político e o contexto socioeconómico ajudaram a sua afirmação eleitoral, sobretudo em Luanda. Isso é facto político. Mas sedução eleitoral não equivale automaticamente a superioridade moral.

A UNITA tem de deixar de confundir militância com agressividade. Tem de parar de demonizar a divergência. Militância é mobilização cívica. Agressividade é tentativa de intimidação. Coisas distintas.


Reagir a críticas com campanhas de excrementação digital ou com espingardamentos verbais fragiliza qualquer partido. Revela insegurança. Alimenta a percepção de que se sente acima do escrutínio do cidadão-eleitor e dos jornalistas.


A democracia angolana precisa de partidos maduros. Capazes de ouvir. Capazes de fazer mea culpa. Capazes de reconhecer erros do passado. Erros que fazem parte da nossa memória colectiva e que não se apagam por decreto. A crítica é a respiração da democracia. Quem quiser governar Angola tem de começar por aceitar isso. Haja maturidade democrática.